quinta-feira, 30 de setembro de 2010

E enquanto se anunciam cortes nos salários...

Esta informação já circula na internet há algum tempo, e numa altura em que se anunciou o corte dos salários da função pública, deixa que pensar:

420.000€ TAP administrador Fernando Pinto
371.000€ CGD administrador Faria de Oliveira
365.000€ PT administrador Henrique Granadeiro
250.040€ RTP administrador Guilherme Costa
249.448€ Banco Portugal administrador era o Vítor Constâncio
247.938€ ISP administrador Fernando Nogueira
245.552€ CMVM Presidente Carlos Tavares
233.857€ ERSE administrador Vítor Santos
224.000€ ANA COM administrador Amado da Silva
200.200€ CTT Presidente Mata da Costa
134.197€ Parpublica administrador José Plácido Reis
133.000€ ANA administrador Guilhermino Rodrigues
126.686€ ADP administrador Pedro Serra
96.507€ Metro Porto administrador António Oliveira Fonseca
89.299€ LUSA administrador Afonso Camões
69.110€ CP administrador Cardoso dos Reis
66.536€ REFER administrador Luís Pardal: Refer
66.536€ Metro Lisboa administrador Joaquim Reis
58.865€ CARRIS administrador José Manuel Rodrigues
58.859€ STCP administrador Fernanda Meneses

Total - 3.706.630€ (valor APENAS DO SALÁRIO MENSAL, sem incluir automóveis, cartão de crédito, despesas de representação e os PRÉMIOS, mesmo com gestão ruinosas, como acontece em muitos casos)

Tomando por média o salário de um funcionário público como sendo 900€, o valor acima indicado dá para pagar o salário de 4.118 funcionários.

Será que eles vão ficar chateados com o corte de 10% que lhes vai ser aplicado?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Frota de luxo na Águas de Portugal

Mais uma notícia que nos mostra como a política de contenção de custos está a ser posta em prática nas empresas estatais.

Empresa tem atribuídas 400 viaturas personalizadas. Automóveis de alta cilindrada são usados para trabalho e fins pessoais.

As empresas do grupo Águas de Portugal (AdP) têm cerca de 400 carros topo de gama para uso de quadros intermédios e gestores. Só este ano foram substituídas 34 viaturas, sendo que o aluguer da frota é composto na maioria por veículos de alta cilindrada da BMW, Renault e Citroën.

As viaturas, em regime de aluguer operacional de veículo (AOV), segundo fonte da empresa, são para uso dos técnicos dirigentes e outros altos--quadros "para uso pessoal e profissional", justificando que os funcionários da empresa têm de viajar por todo o País. A frota de 400 viaturas personalizadas não inclui, dentro do universo das mais de 40 empresas do grupo AdP, os automóveis de trabalho, como as carrinhas de piquete, por exemplo.

Só os custos com o carro do presidente da AdP, segundo o relatório de 2009, foi de 12 734 euros, a que se somam 2805 euros em combustível. Se somarmos este valor ao dos gastos dos vogais com esta rubrica, os cinco membros da empresa custaram 71,5 mil euros ao grupo. Só um dos vogais teve um gasto em combustível de 7186 euros. O CM apurou que este ano o grupo introduziu alterações ao regulamento do uso das viaturas, impondo uma tributação quando o carro for usado para fins pessoais. A cilindrada dos carros também foi reduzida, estando prevista uma redistribuição dos veículos. Dos 34 novos carros, a maioria é de alta cilindrada e os restantes são Skoda.

A AdP, que controla a Epal, tem uma situação financeira débil, tendo usado, em 2009, 955 mil euros das garantias estatais de 1,47 milhões. À parte destas regalias, a maioria das chefias de empresas públicas ganha mais de 4 mil euros/mês.

QUASE VINTE MIL MILHÕES DE ENDIVIDAMENTO

O PSD está a fazer um levantamento dos gastos das empresas públicas desde Junho, tal como o CM já noticiou. Segundo as respostas dadas pelo Governo aos sociais--democratas, vinte empresas do Estado devem 17,2 mil milhões de euros. Mas são números provisórios, até porque a Estradas de Portugal pode passar de 1,5 mil milhões de endividamento para 2,2 mil milhões de euros. Miguel Macedo, líder parlamentar, apontou a necessidade de eliminar institutos públicos e referiu o caso espanhol, que cortou dez por cento no número de chefias. O tema deve regressar hoje ao Plenário.

in Correio da Manhã
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terça-feira, 21 de setembro de 2010

CP é a empresa pública com mais chefias

Quando todos os dias ouvimos falar sobre a elevada despesa pública de Portugal, aliado à falta de produtividade do trabalhador português (seja ele público ou privado), temos conhecimento de uma notícias destas.
Se à partida quem produz é o trabalhador que se encontra nas posições mais baixas da estrutura, então que conclusão se pode tirar desta notícia?

A transportadora ferroviária tem 196 chefes, com salários médios de 3,1 mil euros brutos.

A CP - Comboios de Portugal EPE é a empresa do Estado com mais cargos de chefia na sua estrutura - um total de 196 chefes. Cada chefia ganha em média 3,1 mil euros brutos, a que acrescem despesas de representação de cerca de 500 euros mensais em média. Os valores dos salários variam entre os 4.864 euros no caso do director-geral e os 1.924 euros no caso dos três chefes de sector de nível 15.

A CP bate em larga escala a média de chefes das restantes empresas do Estado, que se situa em 60. Com um total de 3.213 colaboradores na dependência destes quadros da transportadora ferroviária, existe uma média de 16,4 trabalhadores por chefe. Os números constam da resposta a um requerimento enviado pelo PSD a todas as empresas públicas no sentido de mostrar que existem cargos de chefia a mais nestas estruturas.

A CP foi a última empresa a responder, depois de já serem conhecidos os números da ANA, NAER -Novo Aeroporto, ANAM, Refer, MEtro de Lisboa, Carris, STCP, que o Diário Económico noticiou em Junho, e da TAP, que foram enviados já em Setembro.

in Diário Económico
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segunda-feira, 1 de março de 2010

Violação de cabra segue para tribunal

Esta é uma notícia totalmente fora do contexto deste blog, mas não posso deixar de a colocar aqui.

Dois jovens do centro de Moçambique foram apanhados pela polícia a manter relações sexuais com uma cabra e os donos do animal exigem indemnização e casamento. O caso está em tribunal. O caso de flagrante delito aconteceu na semana passada. Fonte ligada ao dono da cabra disse à Lusa que o mesmo exige que os jovens sejam condenados em tribunal a casar com o animal.
in Jornal de Notícias, 26 de Fevereiro de 2010

Isto nem no dia 1 de Abril :)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Calções do Olhanense custam quase tanto como o túnel da Luz

Não quero apenas colocar aqui notícias sobre a questão Norte/Sul, Lisboa/Resto do País, mas algumas que me parecerão também no mínimo curiosas.
Segue aqui uma notícia relativa a castigos no mundo desportivo, na qual duas situações com gravidades bem distintas têm um castigo semelhante.

A Comissão Disciplinar da Liga aplicou uma multa de 1400 euros ao Olhanense, por não ter utilizado os calções com as cores regulamentares no jogo da 12ª jornada com o Marítimo.

É uma das decisões conhecidas no mesmo dia em que foram divulgados os castigos do túnel da Luz, no âmbito dos quais o Benfica foi penalizado com multa de 1500 euros pela sua responsabilidade nos incidentes, ou seja, por não ter cumprido os deveres de manutenção da ordem e disciplina no seu recinto.

A pena aplicada ao Olhanense está prevista no artigo 66 do Regulamento Disciplinar, que enquadra o não cumprimento das obrigações. O clube é acusado ainda de violar especificamente o comunicado que define os equipamentos, jornada a jornada. E que diz que, naquele jogo, o Olhanense devia ter utilizado calções pretos, e não brancos, como fez.

in Maisfutebol, 19 de Fevereiro de 2010
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Lisboa recebeu 148 milhões destinados às regiões pobres

Ao fim do primeiro ano de aplicação do QREN, Lisboa captou fundos comunitários ao abrigo do regime do chamado "efeito difusor" no valor de 193 milhões de euros, dos quais 148 serão contabilizados como se tivessem sido investidos no Norte, Centro e Alentejo.
Além disso, e já que os fundos só cobrem parte do investimento, o Orçamento de Estado é chamado a cobrir a parte restante. De acordo com o Observatório do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), o valor total do investimento propiciado pelo uso do "efeito difusor" ascende a 418 milhões de euros.
Este efeito, também chamado de "spill over", foi negociado entre o primeiro Governon de José Sócrates e a Comissão Europeia e diz que uma parte dos fundos comunitários dados pela União especificamente para desenvolver as três regiões mais pobres do país - Norte, Centro e Sul - pode ser aplicada em Lisboa, sob o argumento de que certos investimentos lá realizados têm efeitos benéficos sobre o resto do país. Em causa estão, sobretudo, gastos com a modernização da Administração Pública.
No final de 2009, o montante investido em Lisboa com recurso à cláusula de excepção representava 0,2% da verba aprovada no Programa Operacional Potencial Humano, para formação profissional (neste caso, de funcionários públicos). Mas, no segundo Programa Operacional em que se aplica - o de Factores de Competitividade, sobretudo no que toca à modernização da Administração Pública -, o valor ascendia a 8,8% do total aprovado. Esta percentagem é "bastante significativa" e "deveria diminuir", considera Mário Rui Silva, gestor do fundo comunitário específico da região Norte (PO Norte).
O responsável pensa que o dinheiro das regiões investido em Lisboa está "no limite dos limites", mas escusou-se a dizer quanto seria adequado. Reafirmou, antes, o princípio que, entende, deve ser seguido: "Os fundos são dados para induzir mudança estrutural nas três regiões de convergência, pelo que os recursos devem ser afectados a essas regiões".
É essa a tese defendida pela junta Metropolitana do Porto na queixa apresentada em Bruxelas e nos processos a decorrer no Tribunal Administrativo do Porto, adiantou o advogado Luís Paiva Brandão. A queixa foi entregue à Comissão Europeia em Outubro de 2008. "Até agora ainda não tivemos resposta", afirmou.

Desvio deve-se a centralismo
Enquanto decorrem os processos judiciais, o Governo vai apresentando candidaturas a fundos comunitários. Mário Rui Silva reconhece a vantagem de os valores investidos em Lisboa com verbas das regiões mais pobres serem agora do domínio público, ao contrário do sucedido em quadros anteriores. "Podemos agora ir monitorizando o que se passa", disse.
Espera, assim, que os próximos relatórios não demonstrem um aumento face à fatia das verbas que já foi desviada para Lisboa. "O cenário mais optimista é que este valor reflecte o essencial dos projectos e que a maioria das medidas já tenha sido lançada", disse.
Mário Rui Silva reconhece que a decisão de financiar a modernização da administração pública com fundos das regiões mais pobres, em vez de o fazer através do Orçamento de Estado, é política e decorre do facto de a Administração Central estar "toda ela sediada em Lisboa". Daí referir que o "desequilíbrio" actual entre Lisboa e o resto do país só se resolve criando regiões com autonomia.

in JN, dia 15 de Fevereiro de 2010

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

As grandes diferenças dos custos dos transportes

Gostava de abrir este BLOG com uma carta muito interessante de um leitor do JN, Gaspar Martins.

"A página 17 do JN de 9 do curente sublinhava: "Custo médio por quilómetro é inferior ao de Lisboa", referindo-se às respectivas áreas metropolitanas. Quanto ao metro, devo contestar tal afirmação. Lembro-me de ter lido no editorial "Preto no Branco" de 12/10/2007, o director adjunto do JN afirmar "(...) o metro de Lisboa custa o dobro por quilómetro do metro do Porto e rende metade (...)". E, se formos consultar as tarifas em vigor, verificamos grandes diferenças. A começar pelo sistema implantado pela Metro do Porto que obriga a tirar um curso para o perceber. Divide a cidade em três zonas (C1, C2, C6), quando Lisboa, de área muito maior, tem apenas uma. O bilhete simples e que dá só para duas zonas no Porto custa 0,95€; em Lisboa, 0,80€ para toda a cidade. O passe equivalente no Porto custa 23,45€ e para toda a cidade 30,35€; em Lisboa 22,60€! Os passes de terceira idade custam no Porto para duas zonas 12,45€ e para toda a cidade 16,10€. Em Lisboa, 13,25€! Para os autocarros, o bilhete pré-comprado fica por menos de 0,80€ (dois bilhetes por 1,75€) e o passe para toda a cidade fica por menos 5,45€ que o seu equivalente para o metro. A linha da Póvoa de Varzim, com o metro, passou a custar o dobro aos seus utentes e a demorar mais tempo de percurso mesmo com a prevista redução para as novas composições ainda em testes. Ao tempo da sua inauguração, os utentes associaram-se e protestaram, mas acomodaram. Há uns anos, interpelei o presidente da Metro sobre esta disparidade de preços e por que não reclamava iguais contrapartidas às do Metro de Lisboa. Respondeu-me que era para não sobrecarregar o Orçamento do Estado. Pois. A área mais desenvolvida do país pode sobrecarregar. Os provincianos, não. Outros se acomodam. Eu não paro de protestar onde me deixarem."

in JN, secção Página do Leitor, dia 15 de Fevereiro de 2010